Pelo direito da educação

Hoje será mais um ano de participação do Deus e a Menina no Blog Action Day. Esse é um evento que acontece uma vez por ano e reúne blogueiros de todo o mundo para falar a partir de suas perspectivas sobre um único tema, geralmente um assunto universal, humanitário ou ambientalista. Esse ano o tema é Direitos Humanos. Nesse assunto, como pedagoga, a menina escolheu falar do direito da educação.

Pesquisando para escrever aqui eu li a Declaração Universal dos Direitos Humanos e dela destaquei os seguintes artigos:

Artigo I : Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade.

Artigo XVIII: Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou em particular.

Artigo XXVI: 1. Toda pessoa tem direito à instrução.

Posto esses artigos, a menina aqui se posiciona em sua humilde visão cristã sobre o direito da educação. Recentemente conversava com alguém que está trabalhando na Arábia Saudita e não tem conseguido utilizar a Internet apropriadamente, pois existem limitações em toda a rede de comunicações. Nesse país, há leis com princípios islâmicos que restringem o acesso à instrução e ao conhecimento, especialmente no referente a conhecer outras culturas, outros países, outras realidades e, sobretudo, às mulheres é vedado o direito mínimo de instruir-se (além de muitos outros), logo, não são reconhecidas como livres e iguais em dignidades e direitos.

Assim, no contexto daquela religião é permitido restringir a instrução, impedir o acesso a fontes de conhecimento que não sejam aprovadas politicamente. É de senso comum a histórica dificuldade de se professar a fé cristã em lugares onde a religião predominante é a islâmica (falarei em breve sobre minha relação intrigante com o islamismo, mas não aqui), contudo há sempre grupos que conseguem se reunir nos mais inesperados lugares para adorar Jesus Cristo, o Senhor e Salvador. Portanto, se lá os direitos dos artigos I, XVII e XXVI não são respeitados, como são as coisas aqui no Brasil?

Ser cristão não nos impede de alcançar o conhecimento, uma vez que a Bíblia nos diz que todo conhecimento provém do Senhor, o Eterno (Pv 2:6; 1Co 1:25; Tg 3:13-18). Portanto, devemos buscar em Deus a verdadeira sabedoria, podemos e precisamos como cristãos buscar a instrução. As comunidades religiosas, a igreja, a sociedade precisa de mais profissionais, mestres, doutores, pesquisadores, cientistas, educadores. Mas também precisam de pessoas que amem a Deus verdadeiramente, conheçam o Eterno em seu dia a dia e compreendam sua Palavra revelada na Bíblia Sagrada. Muito anterior à essa Declaração, o direito à educação nos foi dado por Deus. Ainda, nos foi dado o direito e o dever de conhecer as escrituras (Sl 1:2; Rm 15:4), usar nossa sabedoria para ajudar aos outros (Tg 3:13) e ensinar o que tivermos aprendido, lendo e exortando (1 Tm 4:13).

Se no Brasil já caminhamos muito no sentido de dar acesso à educação pública como um direito de todos, ainda ansiamos para que esta educação seja de qualidade. Por outro lado, vemos que o direito divino da instrução tem sido por nós mesmos renegado, quando nos desviamos do foco das Escrituras e não atentamos para meditar na Palavra do Senhor. Na verdade, isso tem sido a grande fragilidade do meio cristão em nossos dias “Meu povo foi destruído por falta de conhecimento” (Os 4:6a – NVI).

A geração da qual faço parte não lê a Bíblia, não compra a Bíblia, não entende a Bíblia. Em sua maioria, após anos de “banco” no templo, conseguem memorizar os trechos mais usados pelos pregadores e nem sempre de forma coerente. E não são proibidos pela legislação brasileira de comprar ou estudar o Livro Sagrado. Não são proibidos pelas comunidades religiosas. Essa geração infelizmente é barrada pelo próprio desconhecimento do Eterno e por misericórdia subsistem.

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Por que eu não aprendo o que preciso?

O verdadeiro conhecimento vem de dentro. (Sócrates)

Se tem uma coisa mais do que comprovada pela Psicologia e pela Pedagogia é que ninguém aprende algo que não se dispõe a aprender. Pode ser um trabalho, um ofício, uma arte.

Uma vez minha mãe tentou me ensinar crochê. E depois tentou me ensinar bordado em ponto-cruz. Por cinco anos eu estudei violão clássico. Fiz aula de alemão. Vovó faz um bolinho frito que todas as netas já tentaram fazer. Nunca aprendi nenhuma dessas coisas.

Tem gente que nunca leu a Bíblia. Como pode servir a Deus assim? Aprender requer dedicação, disposição, interesse. Se você não se dedicar, haverá quem o faça. Costumamos dizer que o que se ensina tem que fazer sentido para quem aprende. Há coisas que são necessárias, que precisamos aprender, mas não queremos ou não estamos no tempo de compreender o suficiente para aprender.

Be blessed!

Emendas ao PNE alteram investimento do PIB

Os trabalhadores da educação fizeram uma marcha pra Brasília dia 26 de outubro, com o tema “10 mil pelos 10% do PIB para a Educação” dos 10 mil reuniuram-se mais de 10 mil pessoas com documentos de abaixo-assinados de mais de 140 mil assinaturas em todo o país para reivindicar o investimento de 10% do PIB na educação.

Por enquanto, o relatório do PNE está em fase final de elaboração, já recebeu quase três mil emendas. A proposta inicial do governo era investir 7% do PIB na educação nos próximos dez anos, mas agências publicitárias já falam em revisões do relatório apontando o investimento em 8,29%. Enquanto isso, continuemos reivindicando os 10%. É pouco, mas fazer o quê? Temos que continuar lutando.

10% do PIB para Educação

A educação no Brasil é de péssima qualidade e isso não é de hoje, há mais de 100 anos que se sabe que a educação pública e privada é ruim. Sim, pública e privada, porque apenas algumas instituições privadas compõem um ensino de elite e de qualidade diferenciada no país. No plano de governo, o presidente da república deve prever metas para a Educação, dentre outros assuntos. Porém, no campo da educação, as ações devem ser contínuas e precisam ser executadas e avaliadas a longo prazo, perpassando assim mais do que os quatro anos de uma eleição.

Uma forma de sistematizar as metas para a Educação foi a criação do PNE (Plano Nacional de Educação) para ser cumprido em 10 anos. Hoje, está tramitando no Congresso o PNE 2011-2020, que contém 12 artigos e 20 metas a serem alcançadas em dez anos, inclusive prevê estratégias e os recursos que financiarão o desenvolvimento do plano. Algumas dessas metas são tangíveis, outras inviváveis. Tanto, que o último PNE que foi de 2011-2010 não alcançou todas as 295 metas esperadas, inclusive passou longe dos índices esperados em muitas delas.

As instituições, sindicatos, organizações e demais comunidades da sociedade civil têm se mobilizado no sentido de chamar a atenção para a educação pública. O que eu gostaria de destacar hoje, é a “CAMPANHA Nacional 10% do PIB (Produto Interno Bruto) na Educação Pública Já!”. Para ilustrar o que isso representaria, vou exemplificar em termos práticos, tecendo comparações entre o Brasil e os países pertecentes à OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), que também é chamada de “Grupo dos Ricos” porque os 31 países participantes produzem juntos mais da metade de toda a riqueza do mundo. Com os fundos advindos da exploração do Pré-Sal, intenta-se que o Brasil possa alcançar um lugar nessa organização nas próximas décadas.

Hoje o Brasil investe cerca de 5% do PIB em educação. A meta do governo proposta pelo PNE 2011-2020 é investir 7%. A reivindicação popular é de 10%. Considerando que a riqueza do país deve aumentar significativamente nos próximos anos, o PIB aumentaria, consequentemente o investimento de 10% feito em 2020 seria muito superior ao de 2011. Se investir 10% do PIB, o país alcançaria os índices de investimento da OCDE em 2030. Se investir apenas 7%, alcançaria os países mais desenvolvidos apenas em 2040. Mesmo que seja ainda insuficiente para resolver a situação da educação, é preciso mais do que 7% do PIB de investimento em educação.

Pela profissão de ensinar

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A educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda. (Paulo Freire)

 Amanhã é dia do professor. Um dia para celebrar a profissão de ensinar. Minha profissão terrena. Ando preocupada cada vez mais com as ameaças, a violência, as tentativas de assassinato e a imputação de culpa ao professor no exercício de sua atividade. Ensinar é para quem sabe. Ensinar é para quem aprende. Sei, aprendo, sei. E o que sei, ensino. Muito do que se ensina hoje nos lares é indiferença, abandono, violência, corrupção. A escola nem sempre vai na contra-mão. O professor nem sempre tem virtudes próprias para ensinar virtudes. Aliás, isso nem é importante. Importante é saber ler, escrever, interpretar, compreender um texto, produzir um texto. Conhecer os números, calcular as quatro operações, resolver situações-problema, conhecer medidas e geometria. E os outros conteúdos? Gentileza, solidariedade, respeito, amor, perseverança, humildade, coragem. Essas coisas, a família não ensina mais. Essas coisas, a escola não pode ensinar. Essas coisas, a igreja esqueceu de ensinar. Essas coisas, a televisão não tenta ensinar. E quem vai ensinar? É por isso é preciso repensar o sentido de ser e lutar pela profissão de ensinar.

Das formações possíveis

Como professora, vejo todos os dias cenas de violência nas escolas. Se a tragédia do Realengo no RJ chocou, que sirva ao menos para intervir no que ainda pode ser feito. Família é quem educa em primeira instância. Valores, decência, moral, civilidade, cortesia, generosidade, gratidão, humildade. Um pouco de fé, esperança, compaixão. Persistência, determinação, coragem, intrepidez, diligência. Coisas que a família apresenta primeiro para o indivíduo.

Quando não se tem uma família que cumpra esse papel centralizador das boas ações, da socialização primária nas normas da sociedade, nos ritos de convivência, o que sobra para o indivíduo? A escola não consegue abarcar todos. A igreja não consegue abarcar todos.

A inclusão de pessoas com patologias de insociabilidade é uma questão polêmica. Incluir ou não o aluno esquizofrênico? O depressivo? O bipolar? Se os considerados normais já tem dificuldade em lidar com bullying e outras perseguições comuns na escola, as pessoas com patologias psíquicas conseguirão superar os traumas vindos da experiência escolar? Eu continuo desacreditada de uma inclusão que, para incluir um aluno diferente, necessita excluir todos os demais. Que abre as portas para o aluno de inclusão entrar e ele muitas vezes agride os colegas, tumultua a aprendizagem dos colegas, pratica o bullying e não pode ser penalizado por nenhuma de suas atitudes. Inclusão de um não pode gerar exclusão dos demais.

Dá nisso que deu. Rejeitado pela família, criado por parentes, diagnosticado esquizofrênico, conviveu com alunos comuns. Foi rejeitado como todo adolescente, não suportou e não superou. Abarcado pela igreja, ficou fundamentalista. Incluso na Internet, se aparatou para a sua vingança. E se vingou. Sofreram os alunos não-inclusos, os que a família ensinou o respeito, a civilidade, a compaixão. E se matou. Esquecemos Isabella, Suzanna, Mércia… Isso não muda nada.

Não muda até que se reveja a formação que a família tem oferecido, a formação que a escola tem oferecido, a que a igreja tem oferecido, a que a Internet tem oferecido… Simplesmente minha opinião resumida é que se precisa repensar como a sociedade tem formado seus indivíduos e reorientar-se para outras formações possíveis.

Deus não chama desocupados

Vejo que estou ficando cada vez mais ocupada. Coisas e ocupações se acumulam em mim. Cargos e funções parecem se atrair até minha pessoa. E logo nessas horas Deus quer me dar sonhos, visões e revelações? É… verdadeiramente, Deus não chama desocupados.

Fiquei um tanto intrigada com isso e fui pesquisar na minha Bíblia. Veja:

1- Amós era pastor de ovelhas e agricultor de figueiras (Am. 7:14)
2- Paulo fazia barracas, como Áquila e Pricila (At. 18:3)
3- Josué foi escravo, foi general de exército e corretor imobiliário
4- Davi era pastor de ovelhas
5- Saul cuidava das jumentas do seu pai (embora não fosse muito dedicado)
6- Neemias era copeiro real (Ne. 1:11)
7- Noé era lavrador (Gn. 9:20)
8- Daniel era um intelectual da nobreza (Dn. 1:4)
9- Oseias foi, provavelmente, um padeiro (Os. 7:4)
10- Mateus era coletor de impostos
11- Pedro, André, Tiago e João eram pescadores
12- Lucas era médico

Eu era professora. E você, era o quê?

Crianças sem o verdadeiro amor

Eu ainda não sei

Por quê 95% dos meus alunos com indisciplina vão a alguma igreja evangélica com frequencia, mas não conhecem o verdadeiro amor de Deus?

Estava hoje pensando em como são os alunos mais difíceis na sala de aula. Costumamos conhecer rápido os familiares dessas crianças e suas histórias de vida. Muitos pensam que é falta de Deus, por isso essas crianças são tão rebeldes. Talvez seja mesmo mais falta do amor de Deus do que de qualquer outra coisa. Explico.

M., 8 anos. Mora com a mãe, que está no terceiro “casamento”, seu padrasto bêbado, mas não agressivo, e  uma irmã adolescente. A família é de baixa renda. M. não se interessa por estudar, apenas por criar brincadeiras desagradáveis, agredir os colegas e atrapalhar as aulas. Pratica capoeira e xadrez cinco vezes na semana no contraturno escolar, mas demonstra pouca prontidão em seguir normas, regras e combinados. Vai frequentemente a igreja evangélica com a avó e participa toda semana de uma célula de crianças. Um dia me mostrou seu caderno da célula, cheio de atividades  de lições bíblicas (que estavam respondidas, ao contrário das suas atividades escolares) e também vários versículos que ele sabia de cor. Até me explicou que Deus fica triste com o que ele faz na escola e que toda célula ele pede perdão. Está claro que há missionários evangelizando esse menino. Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

P., 10 anos. Mora apenas com a mãe, contabilista que trabalha o dia todo para manter o padrão de classe média e raramente tem tempo sequer para conversar com ele.  No contraturno escolar, está inscrito em programas de esportes, artes e até ajuda psicólogica, pois tem diagnosticado uma profunda dificuldade de aprendizagem relacionada à falta de afeto materno. Porém, sem acompanhamento da mãe, não é assíduo nesses programas e passa a maior parte do dia na rua, junto a adolescentes usuários de drogas. Vai duas vezes por semana a uma igreja evangélica “tradicional” com sua mãe. Participa também de um culto infantil uma vez por semana. Reconhece suas atitudes erradas e valoriza positivamente os ensinos religiosos que lhe são transmitidos. Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

W., 9 anos. Mora com a mãe, o pai e um irmão mais novo. Os pais trabalham durante o dia e estudam a noite, pois almejam uma faculdade que amplie seu padrão sócio-econômico. Toda a família vai semanalmente a uma igreja evangélica da qual são membros e participam de uma célula uma vez por semana também. Na escola, W. não se concentra, envolve-se constantemente em brincadeiras, agressões, ofensas e usa linguagem obscena com o sexo oposto. Não desenvolve atividades no contraturno escolar, ficando na casa da avó, que também costuma lhe ensinar a Bíblia. Em casa, costuma ensaiar hinos que gosta de cantar na igreja. Conhece várias histórias bíblicas e diversos versículos.  Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

São apenas três casos, de alunos que estudam em escolas públicas diferentes, situadas em regiões diferentes da minha cidade e com condições familiares e financeiras diferentes. Todos costumam ouvir de Deus com frequencia. Na verdade, tenho observado isso. Cerca de 95% dos meus alunos com problemas de indisciplina vão frequentemente a alguma igreja evangélica. Mas por quê eles não conhecem o verdadeiro amor de Deus nas igrejas?

Sobre a ineficácia das igrejas de hoje, recomendo esses ótimos artigos:

Que venha a perseguição
A perseguição de um quase ateu
Carta de repúdio à igreja

Lógica de Aluno 001

Alunos têm cada lógica engraçada que eu vou começar a colocar aqui as melhores pérolas que escuto todos os dias. Aos amigos, sinceras desculpas por não poder retribuir todas as visitas. Aos visitantes, estou respondendo os comentários. Aos que me indicaram para prêmios, sábado eu passarei adiante. É que depois que a menina começou a pensar em casamento, a vida já não é mais a mesma e o tempo de blogar se reduziu. Mas vou colocar a pérola de hoje:

Professora: Os astros luminosos têm luz própria, brilham.
Alunos: O vagalume brilha. Então, o vagalume é um astro luminoso.
(M., menino, 8 anos; I., menina, 9 anos)