Das formações possíveis

Como professora, vejo todos os dias cenas de violência nas escolas. Se a tragédia do Realengo no RJ chocou, que sirva ao menos para intervir no que ainda pode ser feito. Família é quem educa em primeira instância. Valores, decência, moral, civilidade, cortesia, generosidade, gratidão, humildade. Um pouco de fé, esperança, compaixão. Persistência, determinação, coragem, intrepidez, diligência. Coisas que a família apresenta primeiro para o indivíduo.

Quando não se tem uma família que cumpra esse papel centralizador das boas ações, da socialização primária nas normas da sociedade, nos ritos de convivência, o que sobra para o indivíduo? A escola não consegue abarcar todos. A igreja não consegue abarcar todos.

A inclusão de pessoas com patologias de insociabilidade é uma questão polêmica. Incluir ou não o aluno esquizofrênico? O depressivo? O bipolar? Se os considerados normais já tem dificuldade em lidar com bullying e outras perseguições comuns na escola, as pessoas com patologias psíquicas conseguirão superar os traumas vindos da experiência escolar? Eu continuo desacreditada de uma inclusão que, para incluir um aluno diferente, necessita excluir todos os demais. Que abre as portas para o aluno de inclusão entrar e ele muitas vezes agride os colegas, tumultua a aprendizagem dos colegas, pratica o bullying e não pode ser penalizado por nenhuma de suas atitudes. Inclusão de um não pode gerar exclusão dos demais.

Dá nisso que deu. Rejeitado pela família, criado por parentes, diagnosticado esquizofrênico, conviveu com alunos comuns. Foi rejeitado como todo adolescente, não suportou e não superou. Abarcado pela igreja, ficou fundamentalista. Incluso na Internet, se aparatou para a sua vingança. E se vingou. Sofreram os alunos não-inclusos, os que a família ensinou o respeito, a civilidade, a compaixão. E se matou. Esquecemos Isabella, Suzanna, Mércia… Isso não muda nada.

Não muda até que se reveja a formação que a família tem oferecido, a formação que a escola tem oferecido, a que a igreja tem oferecido, a que a Internet tem oferecido… Simplesmente minha opinião resumida é que se precisa repensar como a sociedade tem formado seus indivíduos e reorientar-se para outras formações possíveis.

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