A menina e os ateus

Essa é a imagem que eu tenho quando penso na vida de um ateu. Uma tristeza sem razão, uma felicidade sempre pendente e um olhar desesperado, mas inconfesso em sua condição. Dos ateus que passam pela minha vida, lições ficam.

Essa semana gastei algumas horas compartilhando maravilhas do Senhor na minha vida para um ateu. Ele me pediu que tentasse me colocar no lugar dele e percebesse como a lógica dele fazia sentido. Discursou sobre questões do evolucionismo que, para ele, invalidam o criacionismo. Diante de tantas teorias, apenas perguntei-lhe: Resolvendo o problema da criação, estará resolvido o problema de Deus para você?

O ateu pensou por uns minutos, disse que a pergunta era muito complicada. Por fim chegou à conclusão de que não, que sua incredulidade na possibilidade de um Ser Supremo existir vai além de que esse seja um Criador, mas vem de todas as informações e conhecimentos que ele adquiriu nessa realidade. Tudo o que esse ateu conhece e vê, ao ser racionalizado, o impede de crer em Deus.

Exatamente ao contrário, a natureza é para mim fonte de fortalecimento da minha fé. Já contei aqui e aqui meu encantamento sobre a revelação da natureza para minha vida. C.S. Lewis disse: ” A natureza nunca me ensinou que existe um Deus de glória e de infinita majestade. Tive de aprender isso por outros caminhos. Mas a natureza deu à palavra glória um significado para mim. Continuo sem saber onde mais poderia tê-lo encontrado”. Ainda estou lendo Descobrindo Deus nos lugares mais inesperados, mas já quero aproveitar para contar um pouco do que Phillipe Yancey escreve acerca de um momento em que no Alasca uma passagem ficou interrompida por baleias-brancas se alimentando:

A multidão estava silenciosa, reverente até. Passávamos os binóculos uns para os outros, sem dizer nada, simplesmente observando. Mais carros paravam no acostamento. Cachorros perseguiam-se mutuamente na praia da enseada, seus donos em outra dimensão. Por apenas aqueles momentos, nada mais — reservas nos restaurantes, o planejamento da viagem, minha vida nos 48 estados abaixo deste — importava.

Fomos confrontados com uma cena de belexa silenciosa e uma ordem de grandeza majestosa. Todos nos sentimos pequenos. Ficamos juntos e calados, até que as baleias se afaastaram para mais longe. Então subimos o barranco juntos, entramos em nosso carro e retomamos nossa vida ordenada e atarefada que, de alguma maneira, parecia menos urgente. E nem era domingo. (YANCEY, 2005, p.42)

E assim fico pensando em como uma mesma razão para que eu creia pode ser uma mesma razão para que um ateu descreia. Enquanto sei que esse mundo é passageiro e conheço uma outra dimensão de vida, em que tudo é possível, feliz e completo, meu amigo ateu prefere apenas essa única realidade, em que impossíveis não se concretizam, a felicidade é momentânea e a incompletude é condição.

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3 Comentários

  1. Guiomar Barba

     /  agosto 22, 2008

    Obrigada pela visita ao nosso blog Bia. Gostei da sua reflexão. Agadeço a Deus pelo que interiorizei dEle, são verdades inabaláveis através de experiências profundas e constantes… Para onde iremos nós Senhor…? Bjs. Guiomar.

    http://WWW.DAVIDGUIOMAR.BLOGSPOT.COM

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  2. ROSA AZUL

     /  agosto 23, 2008

    OLÁ BIA, LINDO SEU POST PARABÉNS. VIM AGRADECER E RETRIBUIR SUA VISITA, DESCULPA A DEMORA.SEU BLOG É MARAVILHOSO, TE OFEREÇO MEU AWARD, DESTAQUE, PRESENTE DO BLOG E DE INAUGURAÇÃO.RSRSR, JUNTO A ESSE PACOTE MINHA AMIZADE, ESPERO QUE VC ACEITES OK? UM ABENÇOADO FIM DE SEMANA , BEIJOS NO CORAÇÃO

    Responder
  3. teo

     /  agosto 23, 2008

    Bia, seu texto é muito bom. Resumiu em sete parágrafos, mais especificamente na profunda questão do segundo parágrafo, páginas e páginas de discussões homéricas que já travei em fóruns.

    De fato, o problema de quem descrê na esmagadora maioria das vezes, talvez em todas, não é lógico. O questionamento das origens surge da descrença, e não contrário.

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