Crianças sem o verdadeiro amor

Eu ainda não sei

Por quê 95% dos meus alunos com indisciplina vão a alguma igreja evangélica com frequencia, mas não conhecem o verdadeiro amor de Deus?

Estava hoje pensando em como são os alunos mais difíceis na sala de aula. Costumamos conhecer rápido os familiares dessas crianças e suas histórias de vida. Muitos pensam que é falta de Deus, por isso essas crianças são tão rebeldes. Talvez seja mesmo mais falta do amor de Deus do que de qualquer outra coisa. Explico.

M., 8 anos. Mora com a mãe, que está no terceiro “casamento”, seu padrasto bêbado, mas não agressivo, e  uma irmã adolescente. A família é de baixa renda. M. não se interessa por estudar, apenas por criar brincadeiras desagradáveis, agredir os colegas e atrapalhar as aulas. Pratica capoeira e xadrez cinco vezes na semana no contraturno escolar, mas demonstra pouca prontidão em seguir normas, regras e combinados. Vai frequentemente a igreja evangélica com a avó e participa toda semana de uma célula de crianças. Um dia me mostrou seu caderno da célula, cheio de atividades  de lições bíblicas (que estavam respondidas, ao contrário das suas atividades escolares) e também vários versículos que ele sabia de cor. Até me explicou que Deus fica triste com o que ele faz na escola e que toda célula ele pede perdão. Está claro que há missionários evangelizando esse menino. Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

P., 10 anos. Mora apenas com a mãe, contabilista que trabalha o dia todo para manter o padrão de classe média e raramente tem tempo sequer para conversar com ele.  No contraturno escolar, está inscrito em programas de esportes, artes e até ajuda psicólogica, pois tem diagnosticado uma profunda dificuldade de aprendizagem relacionada à falta de afeto materno. Porém, sem acompanhamento da mãe, não é assíduo nesses programas e passa a maior parte do dia na rua, junto a adolescentes usuários de drogas. Vai duas vezes por semana a uma igreja evangélica “tradicional” com sua mãe. Participa também de um culto infantil uma vez por semana. Reconhece suas atitudes erradas e valoriza positivamente os ensinos religiosos que lhe são transmitidos. Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

W., 9 anos. Mora com a mãe, o pai e um irmão mais novo. Os pais trabalham durante o dia e estudam a noite, pois almejam uma faculdade que amplie seu padrão sócio-econômico. Toda a família vai semanalmente a uma igreja evangélica da qual são membros e participam de uma célula uma vez por semana também. Na escola, W. não se concentra, envolve-se constantemente em brincadeiras, agressões, ofensas e usa linguagem obscena com o sexo oposto. Não desenvolve atividades no contraturno escolar, ficando na casa da avó, que também costuma lhe ensinar a Bíblia. Em casa, costuma ensaiar hinos que gosta de cantar na igreja. Conhece várias histórias bíblicas e diversos versículos.  Mas você acha que ele conhece o verdadeiro amor de Deus?

São apenas três casos, de alunos que estudam em escolas públicas diferentes, situadas em regiões diferentes da minha cidade e com condições familiares e financeiras diferentes. Todos costumam ouvir de Deus com frequencia. Na verdade, tenho observado isso. Cerca de 95% dos meus alunos com problemas de indisciplina vão frequentemente a alguma igreja evangélica. Mas por quê eles não conhecem o verdadeiro amor de Deus nas igrejas?

Sobre a ineficácia das igrejas de hoje, recomendo esses ótimos artigos:

Que venha a perseguição
A perseguição de um quase ateu
Carta de repúdio à igreja

O Benefício da Mansidão

Pois eis que estava eu domingo passado (05/07) na comunidade de religiosos ouvindo um sermão sobre ser manso, pautado em Mateus 5:5 “Bem aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra”. Ouvi exemplos de mansidão, de Moisés, homem mais manso que andou por aqui, a Paulo e Jesus.

Eu não ainda não sou capaz de tanta mansidão. Eu não sei ficar calada quando a minha ferida dói. Eu preciso gritar quando me ferem. Eu ainda não sei ser mansa. Eu poderia negar aquilo que está recalcado dizendo que não me importo, que a minha herança está fora dessa terra. Mas dessa vez eu me importei.

Não se pode levar um ministério sem mansidão, porque a mansidão é sinal da mais profunda dependência de Deus, que somente um coração obediente tem. Ouvi que certo missionário estava de mudança para Moçambique, retornando para o campo que havia aberto lá ano passado. Ele tinha apenas a passagem. Não tinha casa ou móveis esperando por ele em Moçambique. O salário prometido seria rateado entre irmãos da congregação africana. Pensei em como isso era ser manso. Não reclamar de Deus nem duvidar da sua provisão, cegamente ir de encontro ao propósito de Deus na sua vida. Alguns disseram que esse missionário era um escolhido de Deus, ao que ele retrucou: “não sou escolhido, eu apenas tenho um chamado, um Ide que eu não posso negar e tenho que cumprir.”

Vergonha. Fiquei com um pouco. Bem pouco. Porque se eu tivesse mesmo vergonha, estaria fazendo o mesmo. Mas nem mansidão eu tenho ainda… esse benefício me está pendente…

Certas boas teimosias

Daí que a menina se embrenhou numa nova teimosia. Cismou de ler a Bíblia em tempo recorde – depois explico essa que vale a pena um post próprio. E dessa cisma, saem novas decobertas. Sabe aqueles trechos que você gasta horas lendo e meditando e no final pouco entende? A vantagem de ler uns 40 capítulos da Bíbllia por hora é simples: alguma coisa fica retida de tudo que se leu. As divagações são a posteriori. Explico…

Tava no meu sossego, lendo meu Evangelho de Mateus em duas tacadas, quando de repende meus olhos tropeçaram nesse conhecidíssimo trecho:

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela; e porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram. (Mateus 7:13-14)

Uau! Eu nunca tinha aberto tanto minha mente na compreensão de algo tão simples. Com certeza voê já deve ter gastado um bom tempo da sua vida se c0mparando a pessoas que não parecem estar tão empenhadas nem tão comprometidas com a obra do Senhor como você, porém elas alcançam aquilo que você tanto deseja alcançar e não tem. Foi exatamente nesse sentido que minha mente se expandiu quando li esse trecho.

Nós, os que nos comprometemos com o reino dos céus aqui na Terra, além de sermos poucos, estamos caminhando por uma estrada muito apertada. Pra gente não tem mesmo moleza. Foi aí que eu percebi que o negócio é viver aqui em compromisso e aguardar a recompensa lá. Be blessed!

Louvor como arma de guerra

Muitas vezes a Bíblia conta de como os levitas iam a frente do povo louvando, adorando e carregando a arca da aliança na frente das batalhas. Se tem um segredo que todo adorador conhece é que o louvor é uma poderosa arma de guerra.

Orar em todo tempo, pois a Bíblia nos ensina a orar sem cessar. Jejuar durante a guerra, pois Jesus disse que só assim se vencem certos demônios. Louvar para se fortalecer. O louvor durante um período de guerra é o anúncio da vitória, é a celebração pela queda do inimigo.

Louvar durante uma guerra é um ato de extrema fé e crença no Deus Todo-Poderoso. É acreditar que Deus está no controle e já batalha em seu favor. É acreditar que a vitória é certa e no tempo certo virá das mãos do Senhor para a sua vida.

Agora me pergunte se é fácil? Oh God! Tenho passado por umas lutas que são simples de se resolver ao olhos do Eterno, mas complicadíssimas aos meus.

Há dias em que consigo louvar e me fortaleço. Mas há dias em que o ânimo nem chega para a oração. Nem sei se por graça ou misericórdia ainda atinjo a vitória, porque guerrear não tem sido meu forte. Mas agora vai ser. E com louvor, porque não apenas profetisa, mas também adoradora.

Persistir para alcançar

E a menina casou mesmo...

E a menina casou mesmo...

Às vezes parecia uma coisa tão distante de alcançar. Por muitas vezes eu desisti dentro do meu coração, só não ousei pronunciar minha falência. Quando se vela um sonho por muito tempo, é inevitável duvidar dele. Sonho que se vela por muito tempo é sonho que vale mesmo a pena, é sonho que transforma a vida quando se realiza, é sonho das entranhas da alma. Era assim que eu pensava dentro de mim. Casar não, porque isso eu não queria de fato. Queria era encontrar o par perfeito, dentro de um propósito perfeito, com quem pudesse viver um amor sem barreiras.

Essa vontade de amar e ser amada, de ter o companheiro para a vida e para o ministério de trabalhar para engrandecer o nome de Jesus Cristo era muito grande. Esse era o grande sonho. Não vou dizer que esperei com paciência no Senhor, porque houveram muitos momentos em que foi com angústia que eu esperei e outros tantos em que reinou a ansiedade. Mas eu persisti.

Muitas dificuldades haviam no caminho e muitos com traves nos olhos tentaram limitar a minha visão. Mas eu persisti e hoje digo que alcancei. Agora meu coração está feliz e grato ao Senhor. Também agradeço a todos os intercessores que levantei nesse país. Agora, passada a correria de se organizar um casamento e findada a lua-de-mel, voltarei a trazer mensagens edificantes, a compartilhar minhas narrativas de vida com Deus, a vida de professora e, agora, também meu dia-a-dia de dona de casa que queima o arroz, adoça demais o açúcar, salga a carne rs… Abraços a todos e permaneçam na fé de Cristo, porque é o amor dele que nos fortalece! Be blessed!

Eu vou vencer

Paizinho,

Sei que às vezes minhas palavras saem como choro
Não era bem assim que eu queria que fossem
Mas é assim que eu estou conseguindo orar nesse momento
Minha alma soluça de angústia

Até mesmo os meus se levantam contra mim
De todas as partes setas de insegurança procuram me atingir
Todo o tempo tentam destruir meu sonho
Tramam contra a Tua identidade em mim
Porque se eu duvidar e desistir, negarei a Ti

Ajuda-me Paizinho
Mantenha sua mão sobre mim
Obrigada pela proteção e o cuidado
Obrigada pela força durante essas provações
Obrigada porque tua provisão é comigo
Eu creio em ti, Paizinho,
Eu vou vencer!

Porque Ele não desistiu de mim

Gratidão...

Gratidão...

Incontáveis foram as vezes que eu errei. Incontáveis são as que eu ainda pretendo errar. Infiel, má, perversa, incoerente, inerte, preguiçosa, cruel. Nada de bom há em minha natureza que mereça ser poupado em troca de que Cristo viva em mim. Ao longo de minha curta vida, muitos foram os tropeços. Muitas foram as quedas. E tantas vezes eu desisti de Deus. Desisti de acreditar que Ele me ouvia ou que em mínimo se interessava pela minha vida. Estava tudo tão difícil há tantos anos, que servir não era prazer ou propósito. Servir era servidão escravagista. Me sentia impelida, obrigada, incumbida a fazer qualquer que fosse a coisa “em nome de Deus”. Mas um Deus que eu não conhecia sequer de ouvir. Por mais que eu lhe desferisse palavras, não conhecia o caminho para me achegar a Ele e cultivar um princípio mais íntimo de relação Criador-criatura. Pobre me sentia. Pobre era, pobre estava.

Infiel, má, perversa. E, em extremo, cheguei a ser incrédula. Tamanha a pobreza do meu conhecimento desse Ser Supremo que me era tão desconhecido, descri. Descri não porque não queria mais crer, mas por total ignorância de sua real existência. Eu estava com 19. Já havia lido o manual (Bíblia), fazia todos os rituais que as comunidades de religiosos me ensinaram (evangelismo, oferta, dízimo, jejum, oração, ministério…). Eu era sim uma perfeita religiosa que seguia algo que eu não sabia, mas preferia achar que se tratava de Deus. Todas as minha ações eram voltadas para agradar a esse Ser Supremo que me ensinaram sobre Ele. Mas eu não o conhecia. E não me sentia correspondida em nada por tantas libações ofertadas, então descri. Fui atéia. Deus não existia mais para mim.

E no descrer, Ele não desistiu de mim. Então, achei também que poderia desistir dos meus sonhos e viver a vida em perpétua nulidade. E na nulidade, Ele não desistiu de mim. Também me acomodei e passei a ir aos cultos celebrados nas comunidades de religiosos para dentro do meu coração zombar da ilusão daquele povo, como poderiam ser tão cegos pelo ópio que lhes afagava a incompletude? E na zombaria, Ele não desistiu de mim.

Quando descri, muitos vieram até mim. Enviados de diferentes formas, chegaram por caminhos distintos. De que adiantou, se eu não os ouvi? Tomada por um esclarecimento racionalista, eu estava além disso. Estava claramente além de crer por fé numa existência sobrenatural superior a mim e a todo o Universo. Então, Ele não desistiu de mim. De desferir palavras, passei a desferir agressões. Gritei, me irei. Duvidei que Ele ouviria. Ele ouviu e não desistiu de mim.

E foi porque Ele não desistiu de mim, que ainda estou aqui. Ele me derrubou ao chão, lembro como se fosse hoje. Enquanto eu gritava contra Ele o que eu queria, caí ao chão, imóvel, muda, frágil. Ele falou comigo o que quis. E eu quis esbravejar. Queria continuar minha lista diária de ofensas contra Ele, mas não pude. Todas as vezes que no meu coração eu pensava em palavras para agredi-lo, minha mente era tomada por palavras que o louvavam e o exaltavam e da minha boca essas palavras saíam em uma língua desconhecida. Isso durou horas. Quando pude me levantar, tomei o rumo da minha vida. Na rotina, encontrei com pessoas da minha faculdade, às quais eu quis falar, mas tudo me saía somente nessa língua desconhecida. Pronto. Estava feito. Ele não desistiu de mim e me separou para si.

Foi assim que a história da menina mudou. Tive que entrar em acordo com Deus se quisesse ser novamente dona de minha boca e suas palavras. Tive que admitir que Ele existia.  Somente quando as palavras de exaltação e adoração saíram verdadeiramente da minha boca, recitando o Salmo 139, foi que essa pegada de jeito que Ele me deu acabou. Impactou a minha vida. E não desistiu de mim. Ele se lembrou dos sonhos que eu havia desistido e, um por um, começou a cumpri-los e a realizá-los para mim, porque eu passei a me agradar dele. Como nunca antes, eu finalmente conheci aquele que nunca desistiu de mim. Cinco anos de vivência, cinco anos de profunda intimidade, cinco anos de nova vida. Obrigada Paizinho!

Providência e Confiança

Confesso que às vezes tenho dificuldade em delimitar o que cabe a mim e o que cabe a Deus. Especialmente quando o meu ser preguiçoso se embrenha em tentar realizar trabalho. Primeiro porque, como diria Paulo, aquilo que não quero isso sim eu faço. Em segundo lugar, porque nunca vi tanta dificuldade para entender que o meu trabalho se resume em descansar. Parece simples, deveria ser, mas na minha prática não é.

Então, essa semana, Deus me ensinou novamente a confiar na providência dele. Me provou o quanto eu ainda sou imatura nessas questões de dependência e como insisto em ousar contra a sua soberania procurando resolver problemas que não são meus. Deus sempre ganha de mim, Ele é realmente bom nisso. Estava eu tão preocupada com o dinheiro repentinamente excasso que custei a perceber como Jireh cuidava de mim. Sem que eu sequer pedisse, Yaweh Jireh, Deus da minha provisão, já supriu todas as minhas necessidades.

É assim mesmo. E eu deveria ler mais a Bíblia…

“O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus”. (Filipenses 4:19)

 

Ovelha Muda no Matadouro

Fiquei essa semana pensando e refletindo em como deve ser difícil ser ovelha muda conduzida ao matadouro. A visão que Isaías teve foi simplesmente única. A revelação que o profeta escreve no seu capítulo 53 simplesmente já me fez chorar dezenas de vezes. Mas hoje não. A falta de vergonha na cara anda tamanha, que nem mesmo com tantos tapas, chorei. Não consigo ser ovelha muda. Não consigo. Vou pro matadouro berrando, sou meio vaca ainda. É. Sou vaca. Bem mais vaca que ovelha. Nessas horas, nem menina. Será que um dia eu cresço?

Da vida pessoal, correria. Agitação. Nunca pensei que casamento desse tanto trabalho. Nunca imaginei. Aliás, se alguém quiser me mandar presente ou pelo menos 50 reais só avisar! Be blessed!

Espera em Cima de Espera

Ok, a menina vai mesmo deixar de ser menina e vai se casar. O que a menina não sabia era que isso geraria espera em cima de espera. Esperar é a palavra da vez na vida da menina. Por muito tempo eu pensei que o tempo de espera funcionava somente enquanto a promessa não se cumpria. Bobagem, pura ingenuidade de menina. Mesmo depois que a promessa se cumpre, temos que esperar para poder vivê-la em toda a sua plenitude, porque simplesmente nunca estamos prontos. Então, é essa a atual condição: de espera em cima de espera. Pode uma coisa assim?